Vivendo a Vida na Navalha
Por Gilberto "Knuttz" em 17/03/08 em Cultura
Já faz algum tempo que eu quero escrever sobre alguns tópicos que me ajudam a viver melhor, e entre eles está a Navalha de Occam, então, aproveitando o projeto de Blog Carnival “blogagem inédita” do Mestre Edney, eu resolvi publicar este texto, bem fora do que costumeiramente costumo publicar. O texto é completamente original, noves fora o exemplo retirado da IEP, que também foi a fonte para explicar um pouco do background da Navalha, como o Princípio da Parcimônia. Se a Navalha ajudar pelo menos uma pessoa aqui, como me ajudou, já valeu a pena o tempo dedicado a escrevê-lo.
Não se iluda com o título, não estou me referindo a viver a vida no fio da navalha, nada “on the edge”, que é aquele tipo de vida em que um passo em falso vai terminar te cortando profundamente, mas sim, viver a vida pela Navalha de Occam.
A Navalha de Occam:
“Sendo todo o resto igual, a solução mais simples é a melhor”.
A Navalha de Occam me caiu no colo quando estava começando a programar meus primeiros sites, um amigo deu o conselho de que eu deveria procurar ao máximo trabalhar com o princípio K.I.S.S.(Keep It Simple Stupid – Mantenha-o Simples Estúpido), fiz uma pesquisa, achei interessante e comecei a me aprofundar um pouco mais até chegar à Navalha de Occam que é a “mãe” do K.I.S.S..
O termo foi cunhado em 1852 pelo matemático inglês William Rowan Hamilton, em homenagem a um frade Franciscano que viveu no começo dos anos 1300 William of Ockham. A Navalha de Occam deriva diretamente do Princípio da Parcimônia, encontrado em trabalhos de filósofos anteriores ao próprio Ockham como nos de São Tomás de Aquino e Aristóteles. O nome deriva de Ockham em homenagem à profusão com que este utilizou e melhorou o princípio.
Princípio da Parcimônia:
“Entidades não precisam ser multiplicada além da necessidade”.
A aplicação pura e simples do Princípio da Parcimônia não é aconselhável, ele foi criado baseado na tese de que a natureza sempre procura o caminho mais prático para realizar sua obra, mas na realidade, a natureza age muitas vezes com formas e funções redundantes, o que torna-o simplista.
A Navalha amplia o Princípio da Parcimônia assumindo que as entidades não precisam necessariamente ser limitadas, mas as hipóteses sim. Ou seja, dentro de vários cenários semelhantes deve-se começar a procurar pela verdade, ou melhor solução, na hipótese mais simples pois ali é maior a probabilidade dela residir.
Sendo direto, a Navalha de Occam é uma aplicação brutal do bom senso. Um exemplo bem prático de seu funcionamento, que estou roubando de um longo artigo da Internet Encyclopedia of Phylosophy (IEP), é quando você entra no carro e vira a chave para dar a partida, apesar do motor de arranque funcionar, o carro não “pega”. Se você olhar no painel do carro e o ponteiro da gasolina estiver no “zero”, a hipótese mais simples para o não funcionamento do carro é a falta de gasolina, e não a falta de gasolina e óleo. Entenda entretanto que este é um exemplo de extrema obviedade.
Abaixo um exemplo mais elaborado e real.
Eu mudei um aspecto importante da minha vida graças à Navalha de Occam, eu era altamente ansioso, e foi graças à aplicação constante da Navalha dia após dia que eu consegui controlar esta indesejável faceta.
Com meus 35 anos não sou mais nenhum menino, e durante esses anos de vida me vi várias vezes em situações onde eu simplesmente não podia, ou devia, interferir no que vinha ocorrendo para apressar sua conclusão, e isso me angustiava
Quando eu comecei a aplicar a Navalha de Occam a estas situações cheguei a duas conclusões:
- Eu estaria adicionando um fato desnecessário, uma entidade desnecessária, um fator a mais à análise da minha contraparte.
- Esta entidade desnecessária levaria a uma multiplicação de hipóteses e em que na maioria das vezes pesaria de forma negativa, com uma alta probabilidade de gerar animosidade.
Isso não foi algo que aconteceu do dia para a noite, foi um processo lento e gradual, mas que com o tempo absorvi e passei a empregar, junto à teoria dos jogos, aos mais diversos aspectos da minha vida. Tanto profissional, quanto pessoal.
Para viver pela Navalha de Occam, a chave é a simplicidade, e o cuidado é para não se deixar levar e passar a agir de maneira simplista. Viva o bom senso!
Na Wikipedia você pode encontrar bons textos em português sobre a Navalha e sobre o próprio Ockham, caso deseje aprofundar-se um pouco.
Os links abaixo têm conteúdo relacionado ao que você acabou de ver:
-Deputados NÃO Querem CPI da Navalha
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Luciano | Mar 17, 2008 | Reply
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