Fala que eu te escuto
Por Roberto Camara Jr. em 16/03/10 em Telefonia

Então você está na balada, gente gritando e o Dj mandando ver naquele bate-estaca ensurdecedor quando sente – Google sabe como – algo vibrando no bolso da sua calça. Você tira o celular do bolso, praticamente transforma-o em cotonete uma haste flexível com ponta de algodão enfiando-o no ouvido, e tenta, em vão ouvir o que estão falando do outro lado da linha enquanto você grita a todos pulmões que está em uma festa e não consegue entender uma só palavra do que estão dizendo e pede para que sua avó – sim. É ela quem está na linha – que mal sabe ver nomes na agenda te mande uma mensagem. Já pode ouvir o som do fósforo riscando e a os primeiros acordes da musiquinha de Missão Impossível na sua cabeça. Quem não passou por isso, ou alguma outra situação em que era impossível falar no celular, que atire a 1ª pedra.
Pois estes dias podem acabar num futuro próximo, pelo menos para alguns. Ao menos é o que prometem os pesquisadores do Karlsruhe Institute of Technology, ou KIT – Super Máquia feelings? – para os mais íntimos, na Alemanha. Usando eletromiografia, um sistema que consegue “ler” os movimentos dos músculos da face, transformá-los em sinais sonoros, e transmiti-los para o celular. Além do exemplo acima, esta nova tecnologia permitiria, por exemplo, que pudessémos dizer senhas de banco sem o perigo de alguém escutar. Outra grande possibilidade deste sistema seria a popularização dos aparelhos celulares por deficientes auditivos.
O grande problema, no entanto, com sistemas de reconhecimento e transmissão de voz está nas diferentes línguas, dialetos e até mesmo sotaques. As pequenas nuances de cada língua podem facilmente confundir o sistema.Eu, por exemplo, estudei durante meus primeiros anos de vida escolar, em um colégio americano aqui em Salvador. Como neste colégio estudavam, em sua grande maioria, filhos de diplomatas e diretores de empresas estrangeiras na cidade, todas as aulas eram em inglês – até mesmo as de português – e assim passava a maior parte do dia (as aulas iam das 7 da manhã as 3:30 da tarde) falando na língua da rainha.Isso fez com que eu terminasse por cultivar um sotaque um tanto irreconhecível (que usava como arma de conquista até ser fisgado pelo amor da minha vida), já que os músculos responsáveis pela fala foram “treinados” no idioma saxão, e os sotaques nada mais são que os músculos de nossa face acostumados com certos movimentos. Por isso dificilmente um estrangeiro consegue dizer o termo “não” como nós brasileiros. Por isso, talvez o sistema possa ter alguma dificuldade em entender o que digo. Como a empresa responsável pela pesquisa é alemã, chances são de que os idiomas escolhidos sejam sua língua materna e/ou inglês, a princípio. Infelizmente, não encontramos nada sobre o assunto nos diversos Blogs que falaram a respeito do sistema nem no próprio site da KIT.
A fonte deste post é esta que, por sua vez, se inspirou aqui. O site oficial (em alemão e inglês) do KIT pode ser acessado aqui.
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